segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Raios

Trovões  anunciam
Uma chuva intensa de palavras
O silencio seguido dessa falta
Raios!

Raios e trovões rasgando o céu
E as horas
Nas palavras que doem e convêm

Raios e trovões que sufocam as conversas de outros prédios
Desenham na janela sua presença
Tão imponentes no dia de hoje
Anunciam emoção e drama

Enquanto raios que o partam
Sejam ditos
Desejos de trovões concretizam-se

E a espera de quem olha pela janela
Denota a preocupação com o que não se vê
E tampouco se alcança

Raios!
Que levem as duras penas que nos cobrem
E lavem nossas almas como podem
Nos libertando das correias que perseguem

Trovões, lavem!
Mas não carreguem tudo
Cautela com o trajeto!
Que a beleza não doa nem machuque!


Pérola Priz

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Nublado


O dia amanhecia  bonito e nublado. Meus olhos se perdiam para além da cidade.
Aqueles dias nublados eram mais que dias frios, eram dias de muitas lembranças, dias de fantasias, romances.
As nuvens me convidavam a uma imersão na sua densidade e à medida que os olhos iam adentrando , iam sonhando, ansiando, isso porque os dias nublados têm uma mágica que restabelece esperanças nos nossos corações desgastados.
Daquelas casas e apartamentos, outras pessoas olhavam pro céu, se permitindo perder-se por entre as nuvens, no escuro e no claro que se contrastavam, na beleza do silêncio, na quietude.

E o mundo podia continuar o mesmo lá fora, mas aqui dentro, outro mundo crescia dentro de mim, uma grande história. E nós somos o que somos por causa das grandes histórias que nos completam, nos modificam.
O que será que aquele dia escondia no meio das nossas esperanças? Que surpresas nos reservaria para além do imaginável?
Pérola Priz

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Encontro

Que grata surpresa
A minha
De frente as portas do metrô
Às portas abertas do coração
Meu coração cheio de ânsias
E esperanças várias

Que grata surpresa a minha
Vendo todas aquelas pessoas
No abrir das portas
E no meio delas
Ver você
E no meio dos sorrisos alheios
Encontrar seu sorriso

Nas reentrâncias do meu coração
Na confluência das paradas do metrô
Na poesia da rota
No vai e vem de pessoas
Minha grata surpresa de ver você


Pérola Priz

Descaminho

É caminho tolo
Só podia ser descaminho
Por isso mesmo
Esse descaminho não me encara mais
Não encaro mais
Nem me arrebata

Esse descaminho não me encontra mais
Não me cabe
Não assumo
Não me olha
nem estreito

Estou sabendo dos riscos todos
Esse descaminho
Não me encanta mais
Não me perco
Não flerta comigo

Esse descaminho sequer me encontra
Deixado de lado
Asfaltado de erros

Esse desatino
Não me encanta
De forma alguma
Me arrebata
É desatado da realidade


Ah,meu descaminho
Desalinho
Desatino
Um despropósito!
Não é mais meu
voltou ao mundo...
Ai de ti desatino
Ai de quem for por teu caminho
Um deslocamento sem destino
Não tem flor
Não nasce espinho


Pérola Priz