terça-feira, 26 de julho de 2016

Pintura íntima


Nossa vida é feita de grandes vazios cheios de barulho.
Tudo se parece como aquela tela de pintura em branco com um único pontinho minúsculo, produzida por algum pintor: um imenso, gigantesco vazio.
Se você fez  muitas coisas, falou muitas delas durante o seu dia  e mesmo assim termina o dia sentindo um grande vazio, é porque faltou significado em tudo o que se fez. Não adianta, pois, falar inúmeras coisas e ocupar-se de mil e uma delas, se ao final do dia somos como aquela tela branca em questão. O que realmente tem importância em nossas vidas? Com o que realmente  nos ocupamos? Ou só fazemos barulho? Barulho dos passos, dos carros, da chegada e da partida, das refeições, das palavras, dos grampos e grampeadores, televisões, teclas de celular e computadores. O que realmente produzimos com aquelas ações? Por que apesar do barulho tudo termina na tela branca?
A ocupação precisa ter uma relação séria com quem nós somos e o que desejamos a partir de quem somos e que desejamos ser. Os barulhos não podem ser o fim a ser alcançado, têm que ser o meio, tem que haver algo maior a que se alcançar ao se passar por esses barulhos, perturbações, desvios de rota, incômodos, decepções, revelações, senão a vida não tem o menor sentido.
Por que então, mesmo ao vislumbrar tudo isso, ainda vivemos todo esse barulho sem atribuir a ele significado algum?


Pérola Priz

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Brasa

Deixei ali meu coração exposto
Tirei-o ali sem nenhum receio
Mal eu sabia 
Que queimaria em brasa
Deixando cinzas que não se abrandam

Deixei na minha mão
Um coração
Era risco certo
Por que fazia?
Queimaria mãos 
E consciência
Temeria o chão 
E a resposta
Entregando de bandeja 
tudo o que me valia
Sem esperar do outro
Nada em troca

Mas era louco 
esse sentimento
Não tinha perspectiva alguma 
Era impulsivo
As palavras pularam desordenadas
E o peito saltava a olhos vistos

Eu disse o que devia
E não temia!
Ai!
E disse o que  devia
e não podia!
E meus olhos ansiavam
Por beijos e entrega
Meus olhos se deleitavam
Em realidade e delírio puro

Mas o que veio em resposta
Eu mal podia esperar
Nenhum sim
Nenhum não
Nem mesmo jamais

Veio o susto!
Silêncio e olhares demorados
Veio fuga!

Mais uma vez o mistério
Dos teus olhos e da tua boca
Esconderam tudo e nada
Num só ato
Deixando o coração em brasa
E a mente atordoada
Tudo queimando de uma só vez


Pérola Priz