quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

"Hoje"

Eu não quero saber o que vai acontecer amanhã
Eu não tenho pedras na mão pra jogar pela janela hoje
Eu não quero saber de amanhã

Não quero lutar pelo que ainda não conheço
Não quero chorar por vitória e derrota
Desconhecidas
Não quero saber a data de amanhã
Nem se chove ou não molha

Não pretendo olhar meu horóscopo hoje
Não quero saber do amanhã
Por hoje me basta
Saudade ou infância
Ternura ou bravura
Por hoje me basta
O que ao hoje basta
O que o hoje conta

Prefiro que seja de tudo
Um mistério
Que seja de nada
A tal  raiva
Que termine bem a bravura
Por hoje
Ao que o hoje basta
Pra que tudo de hoje
No restante da noite
Não seja lembrança vaga
Mas viva
Dando mais prova da valia do dia
Vivido inteiramente
De tristeza a ousadia
Da nobreza da alma à ganância
Que tudo seja devidamente 
mastigado e digerido
pouco a pouco
Vivido em sua necessidade
Em sua completude



Pérola Priz

2 comentários:

  1. Me impressiona o quanto eu sou chato pra gostar de poemas, e o quanto me é fácil gostar dos seus. Minha escritora...

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