[...]
Naquele dia quando peguei o ônibus, senti prazer indescritível, jamais sentido
antes.
Preferia
aquela sensação de estar sempre a caminho e não estar em lugar algum. Eu não
precisava decidir nada, estava em um meio caminho, meio termo, em lugar nenhum.
A
travessia me interessava mais que o destino. Me dava uma sensação de reconforto como na infância
quando recebia colo da minha mãe. Não
sentia isso há muito tempo.
Eu
não queria decidir nada naquele dia, queria que a travessia me conduzisse, que
o vento que entrava pelas janelas me embalasse, que o sol queimasse minha pele
sem culpa. Eu ficaria ali.
Queria
ouvir minha respiração. Nunca gostei tanto de ouvir o barulho do ronronar do ônibus
e as sacudidas do caminho. Eu não estava em lugar algum.
Eu me
sentia feliz. Bastava eu ficar ali um bom tempo, sem destino, sem saber para
onde ir.
Eu
queria merecer esse tempo de deglutir o fato de não saber para onde ir.
Queria
me respeitar, respeitar minha indecisão.
É difícil entender às vezes que não somos robôs, que somos gente. Que temos que sentir
com totalidade, viver com intensidade, respeitar quem somos e os nosso tempos.
Pérola
Priz
Nenhum comentário:
Postar um comentário