terça-feira, 3 de novembro de 2015

O quarto fala

 Uma bolsa cheia de apostilas por fazer
O quadro de avisos
sem nenhum aviso
E o aviso lá

A consulta marcado com o dentista
na mesinha da cabeceira
A ave na janela
que na janela não há

O vento
A porta que fala
Mas não tem lábios
A toalha pendurada
lá no céu da boca

O céu de estrelas no teto
que infinito nenhum há

A nuvem
sobre minha cabeça
 que nuvem nenhuma há

O choro, a lágrima
o esclarecimento
que vontade nenhuma têm
de colocarem-se entre os versos

A falta de vontade
de mexer um dedo sequer
de falar
De repensar o que tanto já foi pensado
Quero só dormir
E esquecer o passado

O violão
encostado na parede
recém- pintada
o chão
deveras varrido
A inspiração
deveras parada

A lousa improvisada
A cama forrada
As portas do guarda-roupa
que não se fecham mais
Emperradas....
Pobres portas!
Pobre sono
querendo deitar-se na cama
e a escritora....
Insônia




 PÉROLA PRIZ

Nenhum comentário:

Postar um comentário