O quadro de avisos
sem nenhum aviso
E o aviso lá
A consulta marcado com o
dentista
na mesinha da cabeceira
A ave na janela
que na janela não há
O vento
A porta que fala
Mas não tem lábios
A toalha pendurada
lá no céu da boca
O céu de estrelas no
teto
que infinito nenhum há
A nuvem
sobre minha cabeça
que nuvem nenhuma
há
O choro, a lágrima
o esclarecimento
que vontade nenhuma têm
de colocarem-se entre os
versos
A falta de vontade
de mexer um dedo sequer
de falar
De repensar o que tanto
já foi pensado
Quero só dormir
E esquecer o passado
O violão
encostado na parede
recém- pintada
o chão
deveras varrido
A inspiração
deveras parada
A lousa improvisada
A cama forrada
As portas do
guarda-roupa
que não se fecham mais
Emperradas....
Pobres portas!
Pobre sono
querendo deitar-se na
cama
e a escritora....
Insônia
PÉROLA PRIZ
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