Mãe, eu posso dormir aqui?
Uma voz terna se lança à
porta do meu quarto.
Eu abro os olhos. A porta se
abre.
Uma menina pequena de olhos
castanhos arredondados e um cabelo castanho comprido e encaracolado se
apresenta e me dirige a voz mais um vez:
Mãe, eu posso dormir aqui?
Aqueles cabelos.... Nariz....
Aqueles olhos, aquela
camisola feita à mão, provavelmente pela avó.
Aquilo tudo, inclusive a
cena, me era tão familiar.
Aquela era eu!
Aquela era eu!
Eu nunca havia me visto
daquela forma. Uma emoção dantesca tomou conta de mim. Houve uma ruptura
naquele momento. Quando aquela mocinha adentrou , eu percebi que não era mais
ela. Eu me despedia dela inconscientemente e assim que me dei conta de quem se
tratava, ela sumiu.
Aquela manhã foi bem
diferente, parte de mim seria sempre aquela menina, mas exatamente como ela,
nunca mais.
Eu deveria me despedir ali de
pensamentos, apegos e medos que só aquela menininha tinha. Mas não se engane,eu
a amava! Ela era e foi tudo aquilo que eu precisava ser.
Pérola Priz