segunda-feira, 11 de abril de 2016

Menina minha

Mãe, eu posso dormir aqui?
Uma voz terna se lança à porta do meu quarto.
Eu abro os olhos. A porta se abre.
Uma menina pequena de olhos castanhos arredondados e um cabelo castanho comprido e encaracolado se apresenta e me dirige a voz  mais um vez:
Mãe, eu posso dormir aqui?
Aqueles cabelos.... Nariz....
Aqueles olhos, aquela camisola feita à mão, provavelmente pela avó.
Aquilo tudo, inclusive a cena, me era tão familiar.
 Aquela era eu!
Eu nunca havia me visto daquela forma. Uma emoção dantesca tomou conta de mim. Houve uma ruptura naquele momento. Quando aquela mocinha adentrou , eu percebi que não era mais ela. Eu me despedia dela inconscientemente e assim que me dei conta de quem se tratava, ela sumiu.
Aquela manhã foi bem diferente, parte de mim seria sempre aquela menina, mas exatamente como ela, nunca mais.
Eu deveria me despedir ali de pensamentos, apegos e medos que só aquela menininha tinha. Mas não se engane,eu a amava! Ela era e foi tudo aquilo que eu precisava ser.


Pérola Priz

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