Cartelas de remédios jogadas por aí. Loucura e
sanidade num só cômodo. Como Sônia saberia o limite, a linha tênue entre a
loucura e a lucidez? Andava de um canto pro outro lendo bulas e confabulando
teorias sobre possíveis doenças as quase jamais teria. Pareceria loucura se pra
ela não fosse absolutamente normal.
Saída dali, abriria as cortinas para o sol entrar,
vestiria sua roupa do dia-a -dia e adentraria no mundo com sua magnífica
normalidade.
Falaria de forma habitual e tão somente normal como
sempre fala com as pessoas pelas quais passa, tomaria seu café das cinco, daria
boa noite ao porteiro e tudo o que sempre costuma fazer aparentando e de fato
vivendo sua normalidade.
E quantas dessas pessoas há no mundo?
Afinal de contas, nos parece que o normal é ser louco
em alguma medida e que loucura mesmo é ser normal.
Quanta insensatez há na normalidade, e quanta
normalidade há na loucura?
Pérola Priz