terça-feira, 27 de setembro de 2016

Loucuras à parte

Cartelas de remédios jogadas por aí. Loucura e sanidade num só cômodo. Como Sônia saberia o limite, a linha tênue entre a loucura e a lucidez? Andava de um canto pro outro lendo bulas e confabulando teorias sobre possíveis doenças as quase jamais teria. Pareceria loucura se pra ela não fosse absolutamente normal.
Saída dali, abriria as cortinas para o sol entrar, vestiria sua roupa do dia-a -dia e adentraria no mundo com sua magnífica normalidade.
Falaria de forma habitual e tão somente normal como sempre fala com as pessoas pelas quais passa, tomaria seu café das cinco, daria boa noite ao porteiro e tudo o que sempre costuma fazer aparentando e de fato vivendo sua normalidade.
E quantas dessas pessoas há no mundo?
Afinal de contas, nos parece que o normal é ser louco em alguma medida e que loucura mesmo é ser normal.
Quanta insensatez há na normalidade, e quanta normalidade há na loucura?

Pérola Priz

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Luz, câmera, ação!


" Em homenagem ao carinho dos meus familiares e amigos"


Luz, câmera, ação!
A primeira escola
O primeiro empurrão
de um colega
O primeiro de muitos : “Cadê minha mamãe?”

Luz, câmera, ação!
A primeira declaração
de amizade verdadeira
O primeiro vexame
em praça pública
O primeiro amor platônico
A primeira revolta adolescente

Luz, câmera, ação!
O grande professor que te marcou
na vida
A descoberta do valor de quem a gente ama
principalmente dos pais....

Luz, câmera ação!
O grande amor
A primeira grande decepção
A vontade de encontrar
outro planeta para viver
A dor, o choro
A primeira grande saudade

 Luz, câmera, ação!
Caminhamos pela cidade
Repensamos a vida
Escrita e descrita
Toca-se, pinta-se
A tela da vida
Com a técnica de tinta a óleo
Pinta-se e despinta-se
Escreve-se e reescreve-se
A história da vida
Sempre
E toda vez que for preciso


Pérola Priz

terça-feira, 13 de setembro de 2016

RELEITURA

Você precisa fazer uma releitura do seu coração
Ele está perdido há horas na linha oito
Talvez o texto não seja tão ruim assim
E não seja bem essa a bendita questão

Está perdido assim
Por palavra que entende
Mas não compreende
Porque não pode aceitá-la

E todo texto em que ela está
É sinônimo de desespero e desânimo
Você fica atônito
Querendo pular parágrafos, estrofes
Destituindo rimas
Trazendo conclusões


Não é o vocábulo
Que é erudito
Nem o contexto
que está perdido
É o coração
que não processa
Esse líquido maldito!.... E bendito?
Que anda sugando
Seus segundos
Em teorias prováveis
Talvez um tanto absurdas
Pra justificar
Tua perda de tempo
Em palavras menores
não bastadas
Em sinônimos que não cicatrizam

Você precisa fazer uma releitura
Do seu coração
Sem pressa e sem medo
Ele não é assim tão frágil
É de papel resistente

Você precisa fazer uma releitura
Do seu coração
Talvez assim termine o texto
É só uma página!
Dentre tantas
Cada releitura é uma interpretação
Cada coração tem um parágrafo difícil
Mas ler corações é nossa prioridade
Senão por que Deus nos daria olhos
tão intimamente ligados aos nossos sentimentos?


Pérola Priz