terça-feira, 27 de setembro de 2016

Loucuras à parte

Cartelas de remédios jogadas por aí. Loucura e sanidade num só cômodo. Como Sônia saberia o limite, a linha tênue entre a loucura e a lucidez? Andava de um canto pro outro lendo bulas e confabulando teorias sobre possíveis doenças as quase jamais teria. Pareceria loucura se pra ela não fosse absolutamente normal.
Saída dali, abriria as cortinas para o sol entrar, vestiria sua roupa do dia-a -dia e adentraria no mundo com sua magnífica normalidade.
Falaria de forma habitual e tão somente normal como sempre fala com as pessoas pelas quais passa, tomaria seu café das cinco, daria boa noite ao porteiro e tudo o que sempre costuma fazer aparentando e de fato vivendo sua normalidade.
E quantas dessas pessoas há no mundo?
Afinal de contas, nos parece que o normal é ser louco em alguma medida e que loucura mesmo é ser normal.
Quanta insensatez há na normalidade, e quanta normalidade há na loucura?

Pérola Priz

4 comentários:

  1. Difícil distinção entre a sensatez e a loucura, já que a vida é mesmo, por vezes, um novelo embaraçado...
    Abç, Priz.

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    1. Tens razão, Moacir, está tudo junto fazendo esta composição.
      E é preciso mantermos os olhos abertos para não transpassar a linha da loucura para não nos entregarmos totalmente a ela e por vezes manter apenas um olho aberto para não nos incomodarmos tanto com as loucuras dos outros, não é mesmo? Afinal de contas também temos as nossas.
      Outro abraço para você! :)

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  2. Adorei! Amo refletir sobre a loucura.. Nunca chego a conclusão se somos todos loucos ou se a loucura é tão normal a ponto de sermos todos normais.

    Beijo!!
    http://miopesanonimos.com/

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    1. Ótima reflexão, Alice Gonçalves! É isso mesmo que eu penso, temos todos alguma parcela de loucura que nos torna tão comuns quanto diferentes uns dos outros.
      Beijo ! :*

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