sábado, 28 de novembro de 2015

Significo

Fecho os olhos e começo a viajar
Estou longe de qualquer aspecto lunar
Não me entenda mal nem bem
Não me entendo por ninguém
Só o mundo explica

Não me defina por seus olhos ou indiscrições
Não sou menina e também não sou mulher
Não me defina por raios loucos de ilusões
São as miragens do cerrado e nada mais

Eu sou de lua
Meu mercúrio é em capricórnio
Minha lua é em virgem
Meu ascendente é provisório

 Não me adivinhe
Pois não brinco com
As contradições
Sou menina aprendente
Das loucas desilusões

Eu me reinvento no meu próprio mundo
Eu me busco num verso longo e branco
E me perco
Esqueço palavra, sílaba e letra
Tento me encontrar
Não me estagno por qualquer segundo
Qualquer um deles pode me significar


Pérola Priz



terça-feira, 3 de novembro de 2015

O quarto fala

 Uma bolsa cheia de apostilas por fazer
O quadro de avisos
sem nenhum aviso
E o aviso lá

A consulta marcado com o dentista
na mesinha da cabeceira
A ave na janela
que na janela não há

O vento
A porta que fala
Mas não tem lábios
A toalha pendurada
lá no céu da boca

O céu de estrelas no teto
que infinito nenhum há

A nuvem
sobre minha cabeça
 que nuvem nenhuma há

O choro, a lágrima
o esclarecimento
que vontade nenhuma têm
de colocarem-se entre os versos

A falta de vontade
de mexer um dedo sequer
de falar
De repensar o que tanto já foi pensado
Quero só dormir
E esquecer o passado

O violão
encostado na parede
recém- pintada
o chão
deveras varrido
A inspiração
deveras parada

A lousa improvisada
A cama forrada
As portas do guarda-roupa
que não se fecham mais
Emperradas....
Pobres portas!
Pobre sono
querendo deitar-se na cama
e a escritora....
Insônia




 PÉROLA PRIZ

domingo, 11 de outubro de 2015

Alma blindada

 Alma blindada
da mulher desalmada
que não sabe amar

Alma blindada
dor inflamada
que não quer calar

Alma blindada
na fronte estampada
no porte de andar

Alma blindada
da fronte levantada
da pele rosada
do não importar

Alma blindada
dores da alma
que a alma não pôde calar

Pérola Priz



terça-feira, 18 de agosto de 2015

ENCARCERAMENTO

Ah, essas coisas que ficam caladas dentro da gente !
Enquanto as trancamos  no peito
Vão ganhando tempo para rebelião

Vão pedindo espaço
Mordendo as partes
Gritando aos poucos
Vão explodir em nós
a qualquer momento

E que ninguém
tente segurá-las
serão rebeldes por natureza
porque são crias do encarceramento
E nele planejaram há tempos
a maior das rebeliões

Essas coisas que guardamos só para gente
De repente criam vida própria
Nossos corações podem ser grandes
Mas nunca há ali espaço suficiente
para quem quer ser livre

Pérola  Priz


sexta-feira, 5 de junho de 2015

Viagem

[...] Naquele dia quando peguei o ônibus, senti prazer indescritível, jamais sentido antes.
Preferia aquela sensação de estar sempre a caminho e não estar em lugar algum. Eu não precisava decidir nada, estava em um meio caminho, meio termo, em lugar nenhum.
A travessia me interessava mais que o destino.  Me dava uma sensação de reconforto como na infância quando recebia colo da minha mãe.  Não sentia isso há muito tempo.
Eu não queria decidir nada naquele dia, queria que a travessia me conduzisse, que o vento que entrava pelas janelas me embalasse, que o sol queimasse minha pele sem culpa.  Eu ficaria ali.
Queria ouvir minha respiração. Nunca gostei tanto de ouvir o barulho do ronronar do ônibus e as sacudidas do caminho. Eu não estava em lugar algum.
Eu me sentia feliz. Bastava eu ficar ali um bom tempo, sem destino, sem saber para onde ir.
Eu queria merecer esse tempo de deglutir o fato de não saber para onde ir.
Queria me respeitar, respeitar minha indecisão.
É difícil entender às vezes que não somos robôs, que somos gente. Que temos que sentir com totalidade, viver com intensidade, respeitar quem somos e os nosso tempos.



Pérola Priz

sexta-feira, 27 de março de 2015

Dorme coração

Dorme coração!
Para que durma em paz
Dorme
Para que esqueça declaração feita
E resposta não dada

Dorme!
Dorme e encontra a paz

Dorme
E enquanto sonolento
Reza
E enquanto pequenino
Sonha
Dorme e sonha
Com essa declaração sem resposta
Nesse aconchego da preguiça
Sem revolta
Da preguiça
Surda e complacente
E não clemente
Que adormece nos meus olhos

Dorme pequeno
E não acovardado
Apenas contido
E tímido
Talvez triste
Talvez só esquecido

Só dorme
Para que seja esquecida a declaração feita

Sem a resposta dada


Pérola Priz

Nosso Mundo

Eu quero um mundo melhor. Que quero ser uma pessoa melhor.
Eu quero acreditar nos outros. Eu quero uma dose de histórias e um par de sapatos fantasiosos. Eu quero um banho de humildade em que não a tem. Um doce mágico para quem é orgulhoso, uma sopa de desculpas para quem não sabe dá-las.
Quero uma queda de luz momentânea para atingir a vaidade alheia. Quero a luz de volta para enxegar quem eu queira. Quero um par de lentes visão raio-alma.
Quero bater palmas para quem prefere amigo ao vivo do que amigo on line.
Quero dormir mais cedo. Acordar mais cedo. Caminhar sem rumo, brincar de pipa, olhar o mundo, não comprar nada dele, mas ganhar.
Quero e não decido se por hoje me basto, se amanhã me complico. Quero e não sei para onde nem o que fazer para mudar  a mim ao invés de querer mudar o mundo
                       





Pérola Priz

domingo, 22 de março de 2015

Luz do mundo inteiro

Você vem com esse jeito
de ser quem é
Você vem  
e me arrasta peito afora por aí
que ninguém como eu
te quer assim


Você vem e arrasta
um sorriso 
no mundo inteiro
No teu peito tenho sonhos
e meu sossego
No teu peito encontro a paz
Você vem e traz consigo
a luz do mundo inteiro
as notícias de um céu nunca habitado
ao teu lado sei que serei feliz




Pérola Priz

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

"Dias fatídicos"

Existem dias em que tudo e todos estão contra nós. Parece que Deus está testando nossa resistência. Os ônibus da nossa linha , ainda que façamos sinal , passam reto sem nos ver.
Perdemos o número de telefone de algum médico importante ,alguém nos repreende por alguma coisa que não fizemos. Pode ser que neste dia chova e que o guarda chuva da gente quebre no meio da rua e por isso fiquemos com a maquiagem toda borrada, talvez um carro bata em outro por nossa causa.
Aí o dia acaba..... Sentamos na sacada da nossa casa enquanto o dia se esvai pequeno por entre as frestas das casas e das vidas das pessoas...  Soltamos uma baita gargalhada.... Finalmente aquele dia terminou.


Pérola Priz

"Hoje"

Eu não quero saber o que vai acontecer amanhã
Eu não tenho pedras na mão pra jogar pela janela hoje
Eu não quero saber de amanhã

Não quero lutar pelo que ainda não conheço
Não quero chorar por vitória e derrota
Desconhecidas
Não quero saber a data de amanhã
Nem se chove ou não molha

Não pretendo olhar meu horóscopo hoje
Não quero saber do amanhã
Por hoje me basta
Saudade ou infância
Ternura ou bravura
Por hoje me basta
O que ao hoje basta
O que o hoje conta

Prefiro que seja de tudo
Um mistério
Que seja de nada
A tal  raiva
Que termine bem a bravura
Por hoje
Ao que o hoje basta
Pra que tudo de hoje
No restante da noite
Não seja lembrança vaga
Mas viva
Dando mais prova da valia do dia
Vivido inteiramente
De tristeza a ousadia
Da nobreza da alma à ganância
Que tudo seja devidamente 
mastigado e digerido
pouco a pouco
Vivido em sua necessidade
Em sua completude



Pérola Priz

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

"Um dia"

Um dia eu ganho o mundo
Escancaro a porta da
minha casa
Debocho da minha raiva
Um dia eu caio no mundo
Sem me preocupar
com o adeus
por causa da liberdade

Um dia eu vou ganhar
todas as causas
Vou gravar  todos os números
de todas as portas
Um dia
eu guardo a singeleza

Um dia eu ganho o  mundo
sem medo
Um dia serei mais feliz

Um dia
 Eu desço um riacho
Abro uma terra
Desenho uma planta
Construo uma casa

Um dia eu esqueço
O medo
Eu aposento a raiva
Um dia eu entendo
A fraqueza
Deixo entrar em minha casa
A beleza
De toda uma vida
Proposta e arriscada



Pérola Priz