Nossa vida é feita de grandes
vazios cheios de barulho.
Tudo se parece como aquela
tela de pintura em branco com um único pontinho minúsculo, produzida por algum
pintor: um imenso, gigantesco vazio.
Se você fez muitas coisas, falou muitas delas durante o
seu dia e mesmo assim termina o dia sentindo um
grande vazio, é porque faltou significado em tudo o que se fez. Não adianta,
pois, falar inúmeras coisas e ocupar-se de mil e uma delas, se ao final do dia
somos como aquela tela branca em questão. O que realmente tem importância em
nossas vidas? Com o que realmente nos
ocupamos? Ou só fazemos barulho? Barulho dos passos, dos carros, da chegada e da
partida, das refeições, das palavras, dos grampos e grampeadores, televisões,
teclas de celular e computadores. O que realmente produzimos com aquelas ações?
Por que apesar do barulho tudo termina na tela branca?
A ocupação precisa ter uma
relação séria com quem nós somos e o que desejamos a partir de quem somos e que
desejamos ser. Os barulhos não podem ser o fim a ser alcançado, têm que ser o
meio, tem que haver algo maior a que se alcançar ao se passar por esses
barulhos, perturbações, desvios de rota, incômodos, decepções, revelações,
senão a vida não tem o menor sentido.
Por que então, mesmo ao
vislumbrar tudo isso, ainda vivemos todo esse barulho sem atribuir a ele
significado algum?
Pérola Priz
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