sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Juvenil

Olhos nos olhos
E todo mundo
Abarcado em
Você

 De todo estremecer
As veias e as carnes
E permitir ver-se
Nos olhos do outro
Desfalecido de entrega

Os códigos da terra
E os mistérios do mundo
Desvendados em série
A cada vez que se entreolham
Acrescenta-se a queda de dois metros
Sentida pelo estômago
Na ansiedade de roubar um beijo

Imaginado por dias e noites seguidos
Aquecido numa imaginação juvenil
De amor incontido e subversivo
Por insistência de querer ser eterno
E intranqüilo numa eterna flama que
Incendeia

Os jovens são loucos
E morrem de amor
Todos os dias


Pérola Priz

Arrependimento



Quando os olhos não suportam mais
Segurar as lágrimas do medo
Tenho sempre à porta da fraqueza
Meu Deus que é paz e fortaleza
Oferecendo a recompensa por um
Grão que seja de um sinal de fé


O problema é a tolice
Pelo medo de ter medo
E o deslize do desassossego
Que a infeliz da resistência
Prega em mim, compra


É que a alma às vezes triste
Vaga sempre em silêncio
Quando não verborrágica
Dizendo coisas que
Me assaltam a alma
Eu preferia ter ficado
calada

Pérola Priz

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Visitante

 O clima chuvoso parece combinar perfeitamente com o enclausuramento de um escritor em produção. A chuva nos convida a descer pelas ruas e passar pelas janelas e nelas descreve rostos e sentimentos , mesmo sem saber de onde eles vêm. E tem , por incrível que pareça,  um dom de guardar a intimidade e trazê-la à tona ainda sim.
Havia uma menina, num dia como esses que revelou esta última característica da chuva. Após pegar um metrô e um ônibus, andou dois quarteirões em sereno incessante Tudo nublado, frio. Andava encapuzada com casaco felpudo, grande e espesso, carregava consigo um guarda-chuva e uma mochila, parecia apreensiva. Andava devagar por causa da dificuldade em se locomover com tantos apetrechos.

Ao final de uma longa caminhada chega a uma casa .
Uma porta se abre.
-Eu vim pra dizer o quanto te amo.

Sim, existem histórias de amor em dias nublados e chuvosos. Essa história por exemplo, foi a chuva quem me contou.

Pérola Priz

Gigante

Era menina e não sabia amar
Mas era dócil como a brisa
E todos sabiam quem ela era
Pelo seu terno jeito de andar

E era suave a sua voz
Que o mundo inteiro
n’ela descansava
E no embalo do seu colo
dormia-se em paz

E todos nós sabemos como era
Capaz de abraçar o mundo inteiro
E fazer cócegas em nossos pés
Dona das linhas do destino e da canção
As melhores histórias vinham
Em primeira mão

E de abrandarmos tudo
Em seu olhar
O melhor gosto era
em vê-la chegar


E nos seus gestos tão pequenos
Mas tão grandes
Era ínfima pro mundo
Mas não pra nós

No nosso coração dormia gigante
Porque só quem se apequena
Entende
A infinitude e a grandeza
dos pequenos atos


Pérola Priz

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Nos Jornais

Saiu por uma porta
Como se tivesse zelo
Vestiu a sua roupa 
como se estivesse pleno

Era formal em polidez extrema
Um lorde completo
De palavras todas eufêmicas

Para as pessoas do trabalho
Um gênio
E em todas suas causas
 um vencedor
Mas havia uma porta desconhecida
Adentrava nela e virava bicho

Entrava por aquela porta
 como ele mesmo
Sentia nas veias a podridão extrema
As máscaras caiam uma a uma

Sentiu no gole amargo do café
Sua última aparição sob perfeição
Mesmo sob todas as medidas do terno
E os passos contados ao trabalho
Não contava contigo, menina
Denúncia e colisão


Pérola Priz

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Raios

Trovões  anunciam
Uma chuva intensa de palavras
O silencio seguido dessa falta
Raios!

Raios e trovões rasgando o céu
E as horas
Nas palavras que doem e convêm

Raios e trovões que sufocam as conversas de outros prédios
Desenham na janela sua presença
Tão imponentes no dia de hoje
Anunciam emoção e drama

Enquanto raios que o partam
Sejam ditos
Desejos de trovões concretizam-se

E a espera de quem olha pela janela
Denota a preocupação com o que não se vê
E tampouco se alcança

Raios!
Que levem as duras penas que nos cobrem
E lavem nossas almas como podem
Nos libertando das correias que perseguem

Trovões, lavem!
Mas não carreguem tudo
Cautela com o trajeto!
Que a beleza não doa nem machuque!


Pérola Priz

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Nublado


O dia amanhecia  bonito e nublado. Meus olhos se perdiam para além da cidade.
Aqueles dias nublados eram mais que dias frios, eram dias de muitas lembranças, dias de fantasias, romances.
As nuvens me convidavam a uma imersão na sua densidade e à medida que os olhos iam adentrando , iam sonhando, ansiando, isso porque os dias nublados têm uma mágica que restabelece esperanças nos nossos corações desgastados.
Daquelas casas e apartamentos, outras pessoas olhavam pro céu, se permitindo perder-se por entre as nuvens, no escuro e no claro que se contrastavam, na beleza do silêncio, na quietude.

E o mundo podia continuar o mesmo lá fora, mas aqui dentro, outro mundo crescia dentro de mim, uma grande história. E nós somos o que somos por causa das grandes histórias que nos completam, nos modificam.
O que será que aquele dia escondia no meio das nossas esperanças? Que surpresas nos reservaria para além do imaginável?
Pérola Priz

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Encontro

Que grata surpresa
A minha
De frente as portas do metrô
Às portas abertas do coração
Meu coração cheio de ânsias
E esperanças várias

Que grata surpresa a minha
Vendo todas aquelas pessoas
No abrir das portas
E no meio delas
Ver você
E no meio dos sorrisos alheios
Encontrar seu sorriso

Nas reentrâncias do meu coração
Na confluência das paradas do metrô
Na poesia da rota
No vai e vem de pessoas
Minha grata surpresa de ver você


Pérola Priz

Descaminho

É caminho tolo
Só podia ser descaminho
Por isso mesmo
Esse descaminho não me encara mais
Não encaro mais
Nem me arrebata

Esse descaminho não me encontra mais
Não me cabe
Não assumo
Não me olha
nem estreito

Estou sabendo dos riscos todos
Esse descaminho
Não me encanta mais
Não me perco
Não flerta comigo

Esse descaminho sequer me encontra
Deixado de lado
Asfaltado de erros

Esse desatino
Não me encanta
De forma alguma
Me arrebata
É desatado da realidade


Ah,meu descaminho
Desalinho
Desatino
Um despropósito!
Não é mais meu
voltou ao mundo...
Ai de ti desatino
Ai de quem for por teu caminho
Um deslocamento sem destino
Não tem flor
Não nasce espinho


Pérola Priz

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Loucuras à parte

Cartelas de remédios jogadas por aí. Loucura e sanidade num só cômodo. Como Sônia saberia o limite, a linha tênue entre a loucura e a lucidez? Andava de um canto pro outro lendo bulas e confabulando teorias sobre possíveis doenças as quase jamais teria. Pareceria loucura se pra ela não fosse absolutamente normal.
Saída dali, abriria as cortinas para o sol entrar, vestiria sua roupa do dia-a -dia e adentraria no mundo com sua magnífica normalidade.
Falaria de forma habitual e tão somente normal como sempre fala com as pessoas pelas quais passa, tomaria seu café das cinco, daria boa noite ao porteiro e tudo o que sempre costuma fazer aparentando e de fato vivendo sua normalidade.
E quantas dessas pessoas há no mundo?
Afinal de contas, nos parece que o normal é ser louco em alguma medida e que loucura mesmo é ser normal.
Quanta insensatez há na normalidade, e quanta normalidade há na loucura?

Pérola Priz

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Luz, câmera, ação!


" Em homenagem ao carinho dos meus familiares e amigos"


Luz, câmera, ação!
A primeira escola
O primeiro empurrão
de um colega
O primeiro de muitos : “Cadê minha mamãe?”

Luz, câmera, ação!
A primeira declaração
de amizade verdadeira
O primeiro vexame
em praça pública
O primeiro amor platônico
A primeira revolta adolescente

Luz, câmera, ação!
O grande professor que te marcou
na vida
A descoberta do valor de quem a gente ama
principalmente dos pais....

Luz, câmera ação!
O grande amor
A primeira grande decepção
A vontade de encontrar
outro planeta para viver
A dor, o choro
A primeira grande saudade

 Luz, câmera, ação!
Caminhamos pela cidade
Repensamos a vida
Escrita e descrita
Toca-se, pinta-se
A tela da vida
Com a técnica de tinta a óleo
Pinta-se e despinta-se
Escreve-se e reescreve-se
A história da vida
Sempre
E toda vez que for preciso


Pérola Priz

terça-feira, 13 de setembro de 2016

RELEITURA

Você precisa fazer uma releitura do seu coração
Ele está perdido há horas na linha oito
Talvez o texto não seja tão ruim assim
E não seja bem essa a bendita questão

Está perdido assim
Por palavra que entende
Mas não compreende
Porque não pode aceitá-la

E todo texto em que ela está
É sinônimo de desespero e desânimo
Você fica atônito
Querendo pular parágrafos, estrofes
Destituindo rimas
Trazendo conclusões


Não é o vocábulo
Que é erudito
Nem o contexto
que está perdido
É o coração
que não processa
Esse líquido maldito!.... E bendito?
Que anda sugando
Seus segundos
Em teorias prováveis
Talvez um tanto absurdas
Pra justificar
Tua perda de tempo
Em palavras menores
não bastadas
Em sinônimos que não cicatrizam

Você precisa fazer uma releitura
Do seu coração
Sem pressa e sem medo
Ele não é assim tão frágil
É de papel resistente

Você precisa fazer uma releitura
Do seu coração
Talvez assim termine o texto
É só uma página!
Dentre tantas
Cada releitura é uma interpretação
Cada coração tem um parágrafo difícil
Mas ler corações é nossa prioridade
Senão por que Deus nos daria olhos
tão intimamente ligados aos nossos sentimentos?


Pérola Priz

terça-feira, 26 de julho de 2016

Pintura íntima


Nossa vida é feita de grandes vazios cheios de barulho.
Tudo se parece como aquela tela de pintura em branco com um único pontinho minúsculo, produzida por algum pintor: um imenso, gigantesco vazio.
Se você fez  muitas coisas, falou muitas delas durante o seu dia  e mesmo assim termina o dia sentindo um grande vazio, é porque faltou significado em tudo o que se fez. Não adianta, pois, falar inúmeras coisas e ocupar-se de mil e uma delas, se ao final do dia somos como aquela tela branca em questão. O que realmente tem importância em nossas vidas? Com o que realmente  nos ocupamos? Ou só fazemos barulho? Barulho dos passos, dos carros, da chegada e da partida, das refeições, das palavras, dos grampos e grampeadores, televisões, teclas de celular e computadores. O que realmente produzimos com aquelas ações? Por que apesar do barulho tudo termina na tela branca?
A ocupação precisa ter uma relação séria com quem nós somos e o que desejamos a partir de quem somos e que desejamos ser. Os barulhos não podem ser o fim a ser alcançado, têm que ser o meio, tem que haver algo maior a que se alcançar ao se passar por esses barulhos, perturbações, desvios de rota, incômodos, decepções, revelações, senão a vida não tem o menor sentido.
Por que então, mesmo ao vislumbrar tudo isso, ainda vivemos todo esse barulho sem atribuir a ele significado algum?


Pérola Priz

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Brasa

Deixei ali meu coração exposto
Tirei-o ali sem nenhum receio
Mal eu sabia 
Que queimaria em brasa
Deixando cinzas que não se abrandam

Deixei na minha mão
Um coração
Era risco certo
Por que fazia?
Queimaria mãos 
E consciência
Temeria o chão 
E a resposta
Entregando de bandeja 
tudo o que me valia
Sem esperar do outro
Nada em troca

Mas era louco 
esse sentimento
Não tinha perspectiva alguma 
Era impulsivo
As palavras pularam desordenadas
E o peito saltava a olhos vistos

Eu disse o que devia
E não temia!
Ai!
E disse o que  devia
e não podia!
E meus olhos ansiavam
Por beijos e entrega
Meus olhos se deleitavam
Em realidade e delírio puro

Mas o que veio em resposta
Eu mal podia esperar
Nenhum sim
Nenhum não
Nem mesmo jamais

Veio o susto!
Silêncio e olhares demorados
Veio fuga!

Mais uma vez o mistério
Dos teus olhos e da tua boca
Esconderam tudo e nada
Num só ato
Deixando o coração em brasa
E a mente atordoada
Tudo queimando de uma só vez


Pérola Priz






quinta-feira, 9 de junho de 2016

Peça viva

E com todo esse sono
Que me consumia
Ainda sim
A tua imagem
era última recordação antes de dormir
Era algo que permanecia
Na incerteza da horas
Dos dias
Em meio a todo o vai e vem do dia
Entre os barulhos de ônibus e carros da avenida
Entre conversas esparsas
Você ainda era peça viva

Da chama da minha existência


Pérola Priz

Reflexão


Existe um momento em que a gente descobre que insiste até o último segundo para não dormir, luta contra o sono para que de repente a vida passe a fazer algum sentido poucos minutos antes de dormir. Que alguma mágica se faça.
Mas mágica não existe e aí quando caímos em nós , dormimos cientes da ilusão.
A vida tem que ser mais que isso... Mais que dormir e acordar fazendo as mesmas coisas, vivendo no automático, seguindo sempre a mesma rotina.
De repente os corações congelam, deixamos de reparar na beleza das pequenas coisas, não vemos os passarinhos que pousam na árvore da esquina, o trabalho passa a ser maçante e o descanso inútil. Nunca há descanso verdadeiro quando não sabemos o intuito de tudo aquilo fazemos. Não existe o “sonhar acordado”. O que verdadeiramente acontece conosco quando crescemos?

Pérola Priz

quinta-feira, 2 de junho de 2016

De onde vem ?

De onde vem a felicidade?
Não vem da casa nem da rua
Nem da sala de pintura
nem da montanha mais alta
nem do salto em altura
Nem da versão espanglish
nem da sopa de letrinhas
nem de sol, nem de chuva
nem da carta de uma formosura
nem do costumeiro
nem do inusitado
Não existe receita para felicidade....

Não é da caixa de bolo
nem da carta que já foi guardada
nem do dia de chuva
nem abraçar em nevoada

Como consigo ser feliz ?
Amando, amando , amando
e jogando todas as cartas
sem jamais desistir


Pérola Priz

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Uma conversa com a ilusão

Ilusão, por que me tomas?
Sabes de mim a covardia ?
És meu pilar noite e dia
Sustenta o vício do meu pensar

Ilusão, não tens onde assegurar-te em meus sonhos
Por que persistes ?
Vais voar como poeira dentro de semanas
Eu vou te apagar com toda força e maestria

Ilusão, onde foste parar ?
Tens tomado além de sonhos
Corpo e coração?!
Por que persistes?
O que fazes?
Não tens limites?

Ilusão, francamente…
Tomaste as letras  ?
Não vais durar, ilusão
Eu te asseguro!

Te entrego aqui em papel
Espero que alces voo
Distante e equivalente a um certeiro esquecimento


Pérola Priz

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Menina minha

Mãe, eu posso dormir aqui?
Uma voz terna se lança à porta do meu quarto.
Eu abro os olhos. A porta se abre.
Uma menina pequena de olhos castanhos arredondados e um cabelo castanho comprido e encaracolado se apresenta e me dirige a voz  mais um vez:
Mãe, eu posso dormir aqui?
Aqueles cabelos.... Nariz....
Aqueles olhos, aquela camisola feita à mão, provavelmente pela avó.
Aquilo tudo, inclusive a cena, me era tão familiar.
 Aquela era eu!
Eu nunca havia me visto daquela forma. Uma emoção dantesca tomou conta de mim. Houve uma ruptura naquele momento. Quando aquela mocinha adentrou , eu percebi que não era mais ela. Eu me despedia dela inconscientemente e assim que me dei conta de quem se tratava, ela sumiu.
Aquela manhã foi bem diferente, parte de mim seria sempre aquela menina, mas exatamente como ela, nunca mais.
Eu deveria me despedir ali de pensamentos, apegos e medos que só aquela menininha tinha. Mas não se engane,eu a amava! Ela era e foi tudo aquilo que eu precisava ser.


Pérola Priz

quinta-feira, 17 de março de 2016

Fraqueza

Eu tentei te esquecer
Te apaguei da minha agenda
Amassei aquela folha 
com seu nome e um coração


Eu tentei me concentrar
Mas sua imagem não me escapa
E eu me perco nesse sonho
Certeza de uma grande ilusão


E é uma loucura
Eu sei
Me deixem a sós com essa loucura
E é uma fraqueza
Eu sei
que me permitam
senti-la em inteireza

Vou me perder
Eu sei
Amor é caminho sem volta

Mas não seria normal
Viver 
E não se perder em um grande amor



Pérola Priz

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

SOLIDÃO

Faz muito tempo que não escrevo e hoje decidi voltar a escrever. É a solidão que me impele muitas das vezes. Mas não a solidão de estar só e sim, a solidão de não ser compreendido que muitos conhecem.  E quem conhece sabe que essa solidão vai nos alinhando sem que percebamos  a um isolamento de comunicação, o que acaba nos levando , então, ao outro tipo de solidão.
Não ser compreendido por praticamente ninguém faz parecer  em algum momento de avaliação interna que estamos cem por cento errados, mas em nosso íntimo lutamos para que as nossas ideias não morram porque elas nos constituem, o imenso prédio do nosso ser se prende àqueles aparatos. A base do prédio é constituída pelo que acreditamos.
Em constante acusação, o adolescente aparenta ser aquele que mais se utiliza da expressão “ ninguém me entende”, mas não é o único, não é a única etapa da vida em que nos sentimos assim.  É que a famosa dê e recebereis não vale o mesmo para entenda o lado do outro que você será compreendido.
Em meio a 7 bilhões e meio de pessoas no mundo, eu recuo 1 milímetro a mais nessa solidão para recolher-me em reflexão, é que hoje outro mundo me chama, são outros habitantes e outros monumentos que coabitam dentro de mim.



Pérola Priz